Semana Estadual dos Povos Indígenas 2016 celebra a cultura, direitos e resistência

ZeroUmInforma/ArteECultura – Com extensa programação cultural que apresentará a resistência, reforçará direitos, conquistas e os valores culturais dos índios sul-mato-grossenses, o Governo do Estado realiza de 25 a 29 de abril em diferentes unidades da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul a “Semana Estadual dos Povos Indígenas 2016”.

Os eventos celebram os valores e discutem a garantia de direitos dos povos indígenas por meio de apresentações culturais, mostra de cinema e minicursos. A semana também comportará o “I Fórum de Mulheres Indígenas de Mato Grosso do Sul”, que contará com palestras e debates com lideranças indígenas, representantes governamentais e estudiosos.

As ações acontecem por meio das parcerias do Conselho Estadual dos Direitos do Índio, da Secretaria de Estado de Governo, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e da Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho.

A abertura, no dia 25 de abril (segunda-feira), às 19 horas, acontece na Morada dos Baís e contará com a exibição do filme documentário Ava Marandu, que registra mais que as ações desenvolvidas pelo Projeto Ava Marandu – Os Guarani Convidam, realizado de janeiro a junho de 2010 em Mato Grosso do Sul. Apresenta os Guarani falando da realidade em que vivem e expressando sentimentos diante do contato com as possibilidades do audiovisual e da fotografia no contexto da memória, da luta e da resistência à tentativa de extinção.

Logo após a exibição será realizada uma palestra do professor Casé Angatu (Xukuru Tupinambá), morador do Território Indígena Tupinambá de Olivença (Ilhéus/Bahia). Doutor em História da Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, Mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e historiador formado pela Universidade Estadual Paulista. É professor efetivo na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, na Bahia. É autor dos livros: Nem Tudo Era Italiano; Pobreza na Virada do Século XIX-XX (Annablume/Fapesp. 2006 – 3a. Edição) e Identidades Urbanas e Globalização: constituição dos territórios em Guarulhos/SP(Annablume/Sinpro. 2006).

Exerce a função de Assessor/Consultor Científico do Conselho do Patrimônio Cultural e Histórico do Estado de Pernambuco e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Organiza e administra periodicamente em diferentes instituições e cidades brasileiras o Curso de Extensão: Histórias e Culturas Indígenas – Saberes, Abordagens, Pesquisas e Possibilidades de Ensino (Lei 11.645/2008).

Já no dia 26 de abril, a partir das 8 horas, serão inaugurados os bustos de Marçal de Souza e Marta Guarani, no Parque das Nações Indígenas. A cerimônia contará com um ritual celebrado por representantes de diferentes etnias e homenageia expoentes da luta indígena brasileira.

Marçal de Souza, o Tupã-Y (pequeno Deus), foi defensor incansável dos povos nativos brasileiros e sul-americanos e um dos líderes precursores das lutas dos guaranis pela recuperação e pelo reconhecimento de seus territórios ancestrais em Mato Grosso do Sul e estados vizinhos. Foi também um dos criadores do movimento indígena brasileiro, tendo sido um dos fundadores e participado da primeira diretoria da União das Nações Indígenas.

Em 1980 foi escolhido representante da comunidade indígena para discursar em homenagem ao papa Jão Paulo II durante sua primeira visita ao Brasil, momento em que afirmou ao pontífice: “Nossas terras são invadidas, nossas terras são tomadas, os nossos territórios são invadidos… Dizem que o Brasil foi descoberto. O Brasil não foi descoberto não, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Essa é a verdadeira história”. Foi assassinado em 1983 após anos de luta pela retomada da terra guarani.

Marta da Silva Vito (Marta Guarani) nasceu em 29 de julho de 1942 na aldeia Jaguapiru, em Dourados. As principais lutas giraram em torno da demarcação de terras indígenas, do reconhecimento da dignidade do povo indígena e do combate à opressão de índios e índias. Mudou-se para Campo Grande em 1975 e conseguiu feitos importantes, como a criação da Delegacia Regional da Funai em Amambaí e a fundação da Associação Kaguateca, buscando a unificação dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul e o agrupamento das nações Kadiwéu, Guarani, Terena e Caiuá.

Um dos feitos importantes de Marta Guarani foi a localização dos anciãos dos Guatós em Corumbá, povo considerado extinto na época e que teve finalmente o reconhecimento como nação pela Funai. Em 6 de setembro de 2003, Marta sofreu um enfarto e faleceu.

O Museu da Imagem e do Som será o espaço para a exibição de filmes e de exposições. No dia 26 de abril serão exibidos “Flor Brilhante e as Cicatrizes na Pedra” e “A Procura de Marçal”. Já no dia 27 será a vez de “A Nação que não esperou por Deus”. As exibições acontecem sempre a partir das 19h30 e a entrada é franca. Também aberta ao público será a exposição fotográfica Kuña Porã: Matriarcas Kaiowá e Guarani, que será inaugurada dia 26 de abril, às 13h30.

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